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sábado, 21 de novembro de 2009

Que flagra!

Hum, João tem 63 anos, mas ainda tá em forma, né não?
(maldades do Alberto!)


João Bosco aproveitou a tarde de quinta-feira, 5, para caminhar pela orla do Arpoador, Zona Sul carioca. O cantor adotou um look um tanto peculiar para a ocasião: uma sunga multicolorida acompanhada de um tênis vermelho. Bem ousado.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Fools rush in,com The Voice



A versão que João e Chico Bosco fizeram fica bem próxima da letra original:

Passos de amador

Tolos vão
Onde anjos temem ir
Por isso estou aqui, amor
De coração na mão
Sim, eu sei
Posso sofrer
Mas já não tenho, amor
Nada a perder
Tolos vão
Em passos de amador
Os sábios têm os pés no chão
Não sabem do amor
Foi te ver
Não pude mais voltar
Pois deixe no teu coração
Um tolo entrar

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Bodas de prata

Terminei "Profissionalismo é isso aí",tou agora analisando as canções que falam de casamento. É esta aqui é a primeira. E a mais antiga, também.



Bodas de prata
(João Bosco/Aldir Blanc)

Você fica deitada
De olhos arregalados
Ou andando no escuro de penhoar
Não adiantou nada
Cortar os cabelos e jogar no mar
Não adiantou nada o banho de ervas
Não adiantou nada o nome da outra
No pano vermelho
Pro anjo das trevas
Ele vai voltar tarde
Cheirando a cerveja,
Se atirar de sapato na cama vazia
E dormir na hora murmurando: Dora...
E você é Maria
Você fica deitada
Com medo do escuro
Ouvindo bater no ouvido
O coração descompassado
É o tempo, Maria, te comendo
Feito traça num vestido de noivado.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Tiradas do Aldir Blanc






* "A esperança não é a última que morre, mas é a primeira que pega fogo."

* "A moça parou de fumar e ficou deprimida. Definhou, depois morreu. Para ser preciso: ex-fumou-se."
(qui nem qui eu!)

* "A grande maioria dos brasileiros vê o túnel do fim da luz."

* "Advertência: sou avô, mas não tô morto."
(só mudo o gênero).

* "Em Medicina, segunda opinião é aquela que faz você voltar correndo pra primeira."

* "Sete entre cada dez brasileiros têm medo de bala perdida. O enterro dos outros três foi ontem."
(Exagero, né, Aldir? Substitui 'brasileiros' por 'cariocas', que daí tá certo!)

(In-: Guimbas. Rio: Desiderata, 2008).

domingo, 11 de outubro de 2009

Obrigada, João e Aldir!



Eu tava deitada no sofá, lendo o último Dunning, O último caso da colecionadora de livros. O rádio ligado, baixinho, na Itapema. De repente, João:

Música: Sonho de Caramujo
Autores: João Bosco & Aldir Blanc

Nem menino eu era garotinho
vivia adulto sozinho
eu nunca fui aonde eu ia
andava em má companhia
entrava no livro que lia e fugia .


Neguinho me vendo em Quixeramobim
e eu andando de elefante em Bombaim


Cumpri o astral de caramujo musical:
hoje eu gripo ou canto
não vou pro céu mas já não vivo no chão
eu moro dentro da casca do meu violão.

* * *

Samba, Alberto,é samba... Esta letra é qualquer coisa, fala de mim, também, adulta quando criança, andando de elefante em Bombaim, quando pensavam que eu estivesse em Floripa-Quixeramobim. E a casca de meu violão é meu sofá, com meus livros.
Obrigada, meninos, MUITÍSSIMO obrigada, por saber que somos alguns...

sábado, 10 de outubro de 2009

Mandinga das boa



As palavras têm histórias maravilhosas, né mesmo?

Passei mais de uma semana conferindo e reconferindo os termos usados na letra de "Coisa feita", pela simples razão de que os textos do Aldir Blanc costumam ter uma lógica interna impecável. Desconfio sempre das relações que se estabelecem dentro de suas letras, porque ele costuma esconder mais do que mostra, como um belo e "inocente" iceberg. Faço isso e vou redigindo a versão definitiva de meu texto. Fiquei um mês sem mexer, pra aprontar o livro do meu avô, e agora o jeito foi ir de volta ao começo...

A letra diz "princesa do Daomé", que é brincadeirinha sacana com "dar o mel", "a que dá o mé", sem dúvida, mas há relações semânticas com o país, que hoje se chama Benim, em uma boa parte do vocabulário.

Daí topei com "mandinga". Significa feitiço, mas o termo veio dos mandinga, nação africana ou povo tido por feiticeiro, reputados por uma rica tradição musical, como contadores de histórias e guardiões da tradição... Habitavam a região do Daomé, é claro... E muitos deles, escravizados, foram trazidos para o Brasil, havendo estudos sobre sua contribuição cultural na Bahia e no Maranhão, principalmente.( Não, não errei concordância - sou professora de português, mas não sou gramatiqueira e prefiro a concordância preconizada pela Antropologia: nomes de tribos ou nações étnicas não fazem plural. Assim, "os mandinga", "os navajo", "os tupi").

Além dessa coerência semântica, a palavra é bonita, sonora, e mesmo visualmente é agradável...

As armas da foto são da nação mandinga (há quem prefira usar "povo", mas não eu... Os dois termos englobam acepções diferentes.)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Recadim pro João



Encontro o Júlio ali na entrada, eu saindo, ele chegando. Paro pra lhe pedir notícias do escritor Emanuel Medeiros Vieira, de quem é sobrinho. E nos pomos a falar de livros.

Júlio é professor do EGR/UFSC, e ele e seus colegas estão no terceiro volume de um livro didático,"porque nunca acaba!" E me diz: nessa coisa de livros,a gente tem que marcar uma linha final, e parar ali...

Chegamos a isso porque ele sabe do livro sobre as canções de João, e sempre pergunta. E porque ele não conhecia quase nada do João Bosco, e seu genro lhe deu de presente o DVD Obrigado, gente!, que ele amou, é claro...

Vim pra casa pensando nisso, nessa tal linha de finalização, e se este seria meu problema...No som está rodando aquele Cd que tem Bandalhismo e Esta é sua vida, aumentei o volume e fui pra mesa, reler o que tinha anotado ontem...

E sabes o que descobri, João? Uma coisa horrível! Descobri que é tão bom ficar fazendo isso, ouvindo, anotando, descobrindo e redescobrindo coisas, que não quero acabar! Faz isso comigo não, menino!

domingo, 4 de outubro de 2009

João e Cícero

João Bosco manda contar a seguinte história: foi a Belzonte, e no aeroporto o motorista estava a esperá-lo, com aquele cartaz com seu nome. Quando chegou perto, viu que era seu amigo Antônio Cícero.

O mesmo motorista que levava Cícero - que voltava pro Rio - ao aeroporto, ia pegar João - que chegava do Rio. Sabedor disso, Cícero montou a brincadeira. E João adorou: o amigo e eu rimos muito, e pudemos confraternizar um tempo...




Irmão da cantora e compositora Marina, o filósofo e poeta Antônio Cícero foi, junto com Waly Salomão, parceiro de João no CD Zona de Fronteira,um dos mais perfeitos que João já fez. E tem homepage ótima: http://www2.uol.com.br/antoniocicero/

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Catavento e girassol



E é o dr.dentista Guinga ao violão!

Catavento e Girassol
(Guinga e Aldir Blanc)

Meu catavento tem dentro
O que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido
Eu te pedi sustenido
E você riu bemol
Você só pensa no espaço
Eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio
Você é litorânea
Quando eu respeito os sinais
Vejo você de patins
Vindo na contra-mão
Mas, quando ataco de macho
Você se faz de capacho
E não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega
Nós não ouvimos conselho:
/Eu sou você que se vai
no sumidouro do espelho/

Eu sou do Engenho de Dentro
E você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio
E você é expansiva
(o inseto e a flor)
Um torce pra Mia Farrow
O outro é Woody Allen...
Quando assovio uma seresta
Você dança, havaiana
Eu vou de tênis e jeans
Encontro você demais:
Scarpin, soirée
Quando o pau quebra na esquina
Você ataca de fina
E me ofende em inglês:
É fuck you, bate-bronha
E ninguém mete o bedelho:
/Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho/

A paz é feita no motel
De alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois
Que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval
Aumentam os desenganos:
Você vai pra Parati
E eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro
O vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora
O escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade
Você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço
Você é tão espontânea!
Sei que um depende do outro
Só pra ser diferente
Pra se completar
Sei que um se afasta do outro
No sufoco somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser
E eu sou mais vermelho
/Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho/

Coração agreste



Em tudo que achei sobre Aldir, esta canção se chama "Coração Agreste", o que torna o titulo muito mais abrangente e mais bonito. Mas se Fafá rebatizou como "do Agreste", dá pra entender, né? É como ela consegue assimilar... Afinal, foi feita para Tieta do agreste.


Coração agreste

(Aldir Blanc e Moacyr Luz)

Regressar é reunir dois lados
À dor do dia de partir
Com seus fios enredados
Na alegria de sentir
Que a velha mágoa
É moça temporã
Seu belo noivo é o amanhã
Eu voltei pra juntar pedaços
De tanta coisa que passei
Da infância abriu-se o laço
Nas mãos do homem que eu amei
O anzol dessa paixão me machucou
Hoje sou peixe
E sou meu próprio pescador
E eu voltei no curso
Revi o meu percurso
Me perdi no leste
E a alma renasceu
Com flores de algodão
No coração do agreste
Quando eu morava aqui
Olhava o mar azul
No afã de ir e vir
Ah! Fiz de uma saudade
A felicidade pra voltar aqui

Aprendendo Aldir



SEI como é o João letrista, sei até demais. Daí o problema cientificamente posto é: que impacto traz a participação de outro letrista, ainda mais tão OPOSTO a ele, em termos de tudo, como Aldir?

Pra poder responder adequadamente, mergulho em Aldir. Analisando, inclusive, se ele apresenta diferenças na produção com outros músicos, especialmente com aquele com quem tem trabalhado mais, que são Guinga e Moacyr Luz.

Mas o danadim tem mais de 600 composições gravadas. Tá na cara que não vou procurar todas, só uma amostragem. Já tenho uma hipótese, é claro. Não, não conto, ou perde a graça! (Mas está sendo confirmada pelo que tenho visto até agora...)


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Os dois Joões



Não Sei Como Foi
João Donato e Lysias Ênio


Não sei se foi
A canção de amor que entrou no ar
Não sei se foi o luar que deitou lá no céu
Se foi a onda do mar que quebrou meu coração
Se foi meu sorriso ou o toque precioso da mão

Só sei que foi
foi só pedir a quem se entregava assim
Depois tomar
O que eu já te dava de mim
Como entender as surpresas que o amor de repente nos faz
Foi só sentir o teu rosto tão perto demais

Bis

E o teu beijo com gosto de quero mais
Foi só sentir o teu corpo e cair pra trás
Não sei se foi a canção...

Um tesouro escondido

Esta João não gravou!



COMADRE,de João Bosco e Aldir Blanc,porque tou estudando Aldir.

E vamos agitar, porque a "comadre" evém!

A LETRA:

Em tudo que me acontecer
O dedo da comadre tá
Na corda quando escurecer
Anágua da comadre tá

Branco de doer
Me convidando a imaginar
Se o vento bater
A ginga que a comadre dá

A ginga da comadre tá
Em tudo que me acontecer
No copo em que eu me embriagar

Se relampejar, se eu adoecer
Se a febre aumentar
A comadre evém, evém, evém

Na palha em que eu adormecer
Nas águas em que eu me lavar
E na pitanga que eu morder
Na arapuca que eu armar

Onde eu me esconder
Em tudo quanto eu puder olhar
No que ouvi dizer
A ginga que a comadre dá

No samba que eu me exceder
No doce que eu me lambuzar
Na hora que eu endoidecer

Se o sangue espirrar
Se a ferida arder
Se a boca chupar
A comadre evém, evém, evém

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Com Aldir


(UOL)

E eu não tinha visto!



Foi o Arno Blass que teve a gentileza de mandar, do UOL, traduzido, datado de hoje. Fui conferir, saiu no El País dia 22/9 - decerto um dos raros dias em que não entrei...

"He dejado de existir para que surja la música"

FRANCHO BARÓN - Río de Janeiro - 22/09/2009


Cae la tarde en los bosques tropicales de Tijuca, que se extienden como un manto por los cerros de Río de Janeiro, y en la casona de João Bosco de Freitas Mucci, João Bosco, (Ponte Nova, Minas Gerais, 1946) suenan, como un susurro, los acordes de una vieja canción. En el silencio de un salón parco en ornamentos, João acaricia, pensativo, las cuerdas de una guitarra de solera fabricada especialmente para él por el lutier japonés Shiguemitsu Suguiyama. No es una guitarra cualquiera: el instrumento pone música a los discos y recitales del intérprete brasileño desde 1981. Y se nota en los sonidos que brotan de la caja acústica, incisivos y envolventes.

En julio, João lanzó en Brasil su último trabajo con doce temas inéditos. Un disco que hasta en su título llega cargado de misticismo metafísico: Não vou pro céu, mas já não vivo no chão (No voy al cielo, pero ya no vivo en la tierra). El compositor de clásicos como Papel maché o O bêbado e a equilibrista retoma después de 20 años el tándem con el letrista y poeta carioca Aldir Blanc, que rubrica la letra de cuatro canciones. "Sólo una de las colaboraciones con Aldir Blanc, Navalha, ya vale todas las celebraciones posibles ante este esperado retorno del dúo", certifica el poeta Eucanãa Ferraz. "No volvimos sólo para hacer música. Volvimos a ser amigos. Almir Chediak, que en aquella época estaba trabajando en un songbook sobre mi obra, el último que produjo antes de fallecer, invitó a Aldir para grabar O bêbado e a equilibrista. En aquella grabación, después de tantos años sin vernos, percibimos que estábamos hablando como si nada hubiese ocurrido y que nuestra amistad era indestructible. Poco después, Aldir me telefoneó para decirme que había soñado conmigo: en su sueño yo cantaba una samba. Cuando se despertó cogió un bolígrafo e intentó transcribir la letra. De esta manera surgió la letra de Sonho de Caramujo, que contiene el título de este disco", desvela João.

En este trabajo, quizá el más intimista y personal de su carrera, el intérprete y compositor también se sumerge por primera vez en una colaboración artística con su hijo Francisco, que ha puesto letra a cinco temas. "El título del disco tiene mucho que ver con la poética que han aportado Aldir Blanc y Francisco Bosco, que sin coordinarse han trabajado con una afinidad casi imponderable. Las letras de las canciones dialogan unas con otras. Es un disco que mantiene una unidad rara en comparación con otros discos de mi carrera", explica mientras los dedos de su mano derecha continúan recorriendo las cuerdas de la guitarra.

Preguntado sobre qué elementos novedosos destacaría en este nuevo trabajo, João no necesita pensar mucho su respuesta: "Hay un cantante que surge en este disco. Un cantante con la capacidad de dejar de existir para que sólo surja la música. Es algo que nunca había experimentado antes. Siempre me gustó ser muy exuberante, ocupar los espacios, alterar la pronunciación de las palabras. Éste es un disco desprovisto de artificios, casi de voz y guitarra, y en los momentos en que los músicos participan, esta sensación tampoco se pierde"."Es un disco raro. Las letras de las canciones dialogan unas con otras".

El País,Cultura.

domingo, 27 de setembro de 2009

Revendo João...enquanto espero.



(parceria com seu filho, Chico Bosco)

Enquanto espero acontecer,
Enquanto espero ver no cais
Vou derramando sem querer
A febre dos meus ais

Há muito tempo amor
Que trago dor dentro do peito
Há muito tempo a cor
Da solidão tingiu-me o leito
Há tanto tempo assim
Só eu dentro de mim
A procurar por nós e apenas uma voz
Responde:
Estão agora o vazio e a saudade a sós

Há muito tempo amor
Que eu te sufoco em pensamento
Mas quando a noite cai
Traz tua imagem como um vento
Faz tanto frio aqui
Só eu dentro de mim
A procurar por nós
E apenas uma voz
Responde:
Estão agora o vazio e a saudade a sós

Navego um mar de fado azul
Angústia de um bolero
Versado em sombras meia luz
Soluço no meu canto
Uma canção enquanto espero

Enquanto espero acontecer
Enquanto espero ver no cais...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Coisa feita



É esta canção que estou fazendo agora...