sábado, 26 de setembro de 2009

Recadim pro Zé Mariano!



Já "acabei com meu avô", louca de faceira,mas cansada.

Tou de volta aos braços de João. E descobri que essas interrupções são ótimas: volto cheia das ideias...

beijão, bom fim de semana!

Gabriel me entregou!



O danado do Gabriel Gómez, escritor amigo, portenho radicado em Rio do Sul, está de blog.

E olhem só o que inventa de entregar: um belo porre que tomamos lá em Jaraguá, com o Tezza!

E com direito a trecho de crônica do Schroeder, contando (e exagerando...) o fato.

Dêem uma olhadinha: http://escritosdogabriel.blogspot.com/

Crônica do Schroeder

Imagino o tamanho do desapontamento, Carlos!
E concordo em gênero, número e grau!



BIENAL DO VAZIO

O Rio de Janeiro continua lindo. E a Bienal do Livro do Rio (a de São Paulo não é diferente) continua vazia; De propósitos, de consistência, de espírito.

Livros são extensões da imaginação humana, pressuponho que feiras de livros devem aproximar os visitantes dessa imaginação, em vez de amontoar um monte de estandes bonitos em galpões e encher esses espaços com crianças que nem sabem por que estão ali.

Para se ter uma ideia do disparate da Bienal, o auditório da Feira do Livro de Jaraguá do Sul 2009 foi maior que o da Bienal do Rio 2009, isso que o evento carioca recebe, no mínimo, dez vezes mais visitantes. Isso acontece quando uma empresa de eventos realiza uma feira para consumidores, não para leitores.

As feiras do livro de Bogotá e Buenos Aires, por exemplo, mexem com a cidade inteira, e têm uma programação focada no leitor, contemplando todos os gêneros (e não só os best-sellers). Está na hora de algumas pessoas pararem de enxergar o livro apenas como um produto, e ver a grande transformação social e cultural que ele propicia.

Como escritor, vejo que o mundo precisa ser mais lírico. As palavras devem ter outros significados, e como editor de livros, percebo que cada vez mais o livro e a leitura devem ser usados como instrumento primordial da educação e transmissão do conhecimento. E, por fim, como gestor cultural, acredito que eventos não precisam ser realizados apenas para cumprir tabela, como vejo país adentro.

Cultura é coisa séria! Já disse o Camus, “sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro”. Afinal, “a cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado”, diz o ensaísta André Malraux.

Cadê a Bienal do Rio? Fui até lá para ver o jeitinho carioca de lidar com livros, e o que vi foi fleuma, melancolia. Cadê a vitalidade que vejo na Lapa e na Cinelândia? O descolamento e a alegria da Zona Sul? A garra da Zona Norte? O charme da Barra da Tijuca? Não vi nada disso lá nos pavilhões da Bienal.

Não tinha cara do Rio, nem do Brasil. E para mim, o Rio é o Estado mais brasileiro de todos (um amigo meu diz que o Brasil começa lá, e vai até o Norte/Nordeste, que de São Paulo para baixo todos querem ser europeus). Quem conhece, sabe.

Lá todas as classes, as cores e ritmos se misturam, sem culpa, sem preconceito, com alegria, tudo muito Gilberto Freyre, muito Darcy Ribeiro.

Olha, estão fazendo eventos para inglês ver em pleno Rio. Peço ajuda ao Darcy Ribeiro: “Ultimamente, a coisa se tornou mais complexa porque as instituições tradicionais estão perdendo todo o seu poder de controle e de doutrina. A escola não ensina, a igreja não catequiza, os partidos não politizam. O que opera é um monstruoso sistema de comunicação de massa, impondo padrões de consumo inatingíveis e desejos inalcançáveis, aprofundando mais a marginalidade dessas populações”.

A Bienal do Livro foi uma decepção, mas o Rio de Janeiro continua lindo...

(Anexo,AN,26/9/2009)

Crônica do Fábio Brüggemann

Ora, Fabinho: o boi tá moendo o trigo. Mas não lembro o que vem depois do ovo!

E depois do boi?

Cadê o toucinho que estava aqui? O gato comeu. Cade o gato? Foi pro mato. Cadê o mato? O fogo queimou. Cadê o fogo? A água apagou. Cadê a água? O boi bebeu. E depois do boi, esqueci. Nem sei o motivo pelo qual essa sequência infantil apareceu na minha cabeça. Assim do nada, em plena viagem, descendo a Serra, ela entocou no cérebro. A memória é uma ilha de edição, escreveu o grande poeta Wally Salomão. Por que será que ela me fez lembrar uma brincadeira de criança, mas ao mesmo tempo não me trouxe a brincadeira toda?

Estou há alguns dias querendo saber o que vem depois do boi, mas não consigo lembrar. Sim, eu poderia procurar no Google, ligar pra um amigo, perguntar pra mãe. Mas achei que estaria dando muita moleza pra memória. Ou eu me esforço, ou vou achar que todas as respostas estão no grande oráculo, como diz a Maria.

Muitos leitores escreveram emocionados com o presente que ganhei da G., relatado aqui, no sábado passado. Alguns perguntaram se inventei a história toda. Não, ela existe, se chama Gabriela se veste de palhaço pra alegrar as crianças, e, por isso, deve saber o que vem depois do boi. Além do mais, vários destes leitores escreveram para dizer que são o décimo quinto leitor. Foram tantos, que já perdi a conta de quem é quem. Suponho que já devo ter bem uns 25, sem contar a carta da professora Ivonete, da Escola de Educação Básica Governador Celso Ramos, de Joaçaba, avisando que agora não são mais quatorze, mas muitos. Decerto que tenho que parar com essa brincadeira e aceitar tamanha responsabilidade.

Falar em responsabilidade, sei que jornal é coisa séria, tem que ter notícia e informação. Afinal, golpistas militares depuseram o presidente eleito, a Austrália sofreu uma invasão de areia, direitistas norte-americanos vão às ruas porque Barack Obama quer investir em saúde, o Correio está em greve, os congressistas votaram pela ampliação do número de vereadores, a violência aumenta cada vez mais, e eu aqui preocupado porque não sei o que vem depois do boi. Meus inestimáveis e agora incontáveis leitores, afinal, o que vem depois do boi?

(DC,Variedades,26/9/2009)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Quem quiser que entenda!

Digibilando a mixorna

No cachicholo do meu quengo,
Hoje vai ter pixurum:
Já mandei as riconvências.

Cachicholo de tibéria
Tem umas ideias quebra
E tem outras tararacas...

Tem pensamento gaudério,
Pensamento gavião
E até abichornado...

Não tem pensamento bagual!

Vai ter queimadinha nas guampas,
Vai ter muito querumano,
Vamos dançar ratoeira.

Digibilando a mixorna
Pra deixar o quengo dobrando
E o cachicholo areado!

Rainha de notas de rodapé



ALELUIA!

Já tinha terminado a proposta de edição para o Bulha d'arroio, livro de contos de Tito Carvalho, meu avô. Como na primeira edição, os vocábulos regionais ou muito estranhos (o Houaiss passou esses dias abertinho ali em cima da mesa... Os livros dele, também) foram colocados em ordem alfabética, no final do livro.

Acabei, e fiquei pensando no que tinha feito. Revisei quatro ou cinco vezes, até que na revisão final não encontrei mais nada pra acertar. Mas estava descontente com essa coisa de usar glossário: é muita mão de obra pro leitor. Ele lê uma palavra que desconhece,pra ir atrás tem que marcar a página; procurar no glossário; de uma certa maneira, memorizar o significado dela, e voltar para a página que deixara marcada. Se houver muitas, vai acabar desistindo. Ou de consultar, ou de ler o livro. Não, assim não tá legal. Nota de rodapé seria bem melhor.

Consultei cumpadre Flávio e ele respondeu "degerim": ia mesmo te sugerir isso. Ao começar a reler Vida Salobra, romance que o "Velho" publicou em 1963, vejo que ele usou notas, também. Me senti autorizada.

E pus mãos à obra. Mas sabem o que é fazer umas quatrocentas notas de rodapé? Não, não é demais. É que ninguém lê um livro (muito menos um de contos) de uma assentada só. Assim, se os termos aparecem de novo em outro conto, estarão repetidos lá. Confesso que acabei decorando o vocabulário, na sua maior parte, e tou até pensando num poema que se chame "digibilando mixorna"...

Faz quatro dias que só trabalho nisso, e "ontônti" caí na cama às 19:30 horas, e dormi feito uma pedra, de tão cansada que estava. Esta manhã, acabei. Tive que reescrever uma parte em que explico a metodologia de trabalho, acertar de cá e de lá algumas cositas, e DEU.

Oh, não se iludam: ainda vou dar uma revisada geral. Mas tá prontito. Já posso voltar pros braços do João, e escrever a análise de "Coisa Feita", ajeitadinha na cabeça e pedindo passagem... Antes,porém, quero criar coragem de ir caminhar ao sol... mas com este velho vento vagabundo "pelas fuças"...

Crônica do Olsen

PARECE FÁCIL, MAS NÃO É!


Cansei da maçaroca. Lembrei de um livro do Salim Miguel ”Sezefredo das Neves, poeta”, que começa com o narrador afirmando que recebeu um “original” para ser lido mais tarde e que o apelidou logo de “a maçaroca”.

A maçaroca, no meu caso, é constituída de uma série de anotações feitas por aí e guardadas em um dos bolsos da calça. As calças mudam e as tais anotações continuam se amontoando sem que tome uma providência. São ideias para uma crônica, um conto, um dito espirituoso feito na hora apropriada, uma frase que capta um momento bem humorado, enfim, algo que pode ser trabalhado posteriormente. O suporte para tais anotações pode ser um guardanapo, um extrato bancário, um comprovante da medida de peso/altura de uma farmácia, uma nota de compra, um ticket de supermercado ou de posto de gasolina, o verso de um cartão de visitas, e se não tiver nada, a palma da mão também serve.

Hoje peguei aquela papelada toda e disse: chega! Só tomei a iniciativa, entretanto, quando um amigo me viu deixar cair tudo quando fui pagar o café no bar... Ele indagou “que maçaroca é essa?”.

Well, é de assombrar como se parte de coisinhas simples para se construir uma obra.

Muitas vezes é só um lembrete mesmo: “policial Henrique (livro)”... Lembrei que fui socorrido por um policial num acidente de carro. Quando soube que era um escritor disse que gostava muito de ler e eu prometi um livro. Na hora não tinha nenhum. O bilhete deve estar a uns quatro anos passando de bolso em bolso sem que cumpra com o prometido, vou fazer isso hoje; um outro diz: “filme do Cantinflas/ajudante de circo/pesos”, trata-se do comediante Mário Moreno, ele fazia o papel do ajudante, a atração principal era um fisioculturista (vestido com pele de tigre) que levantava vários artefatos em que estavam escritos em cada um o “seu” peso (150kg, 200kg,) e depois da encenação, o Cantinflas entrava e pegava todos eles com uma das mãos (eram de isopor) e o cinema vinha a baixo de riso, lembro a propósito de um colega de ginásio que assistia ao filme na cadeira de trás da minha e passava o tempo todo cantarolando a música “leva eu sodade”, um dos versos que dizia “Oi leva eu... eu também quero ir”... Dos “Cantores de Ébano” que fez sucesso na década de 1960... No verso, um lembrete “Eliane & Elias/ Piano” seguido de um número de telefone para contato... Cenas que poderiam integrar uma obra de ficção.

Numa comanda de hotel indicando como chegar a feijoada do Bar do Zé em Joinville, estava o texto “A mesma “coisa” feita de outro jeito, tem novo sentido”. Não me lembro do que se tratava, a “mesma coisa” para mim sempre foi um caminhão carregado de melancias, mas depois que os japoneses “criaram” a melancia quadrada (vi isso na internet) nem se pode usar mais a tal expressão.

Tinha elucubrações bem feitas e que só estavam ali porque não tivera disposição para transportá-las para um caderno onde faço tais registros, por exemplo, “Procuro ignorar os elogios e as críticas que fazem ao meu trabalho porque ambos são mendigos que me pedem esmolas: o elogio de minha vaidade e a crítica de minha ira. Tanto um como outro me empobrece”.

O meu favorito era um que afirmava “Os homens de talento, digo, os gênios, deveriam ser mais pacientes, afinal nós temos a eternidade pela frente”...

Tudo isso parece afetação, mas o que é que se pode esperar de alguém que pensa o dia inteiro? Claro, tinha os bilhetes que me faziam cair na realidade, esse que está em minhas mãos agora, para ilustrar, dizia “Pagar a ótica (R$175,00) no dia 10”, consulto o calendário e já estamos no dia 22... O que “eles” iriam pensar do meu atraso? Talvez, na melhor das hipóteses: “paciência, os filósofos são distraídos, não são?”.

(recebida por email)